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Se preferir sem som, clique no stop (no quadradinho) do player acima.


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"Noites Sem Fim, o caderno de poesia assinado por centenas de mãos, convida você para embarcar nessa idéia. Seja também um assinante. Mande um email para nsf.2008(uol) e reserve seu espaço e seja benvindo(a)...sempre."

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"A poesia é a música da alma, e, sobretudo, de almas grandes e sentimentais." (Voltaire)

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"Depois do silêncio, aquilo que mais aproximadamente exprime o inexprimível é a música." (Aldous Huxley)

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Agradecimento como Dedicatória no post inicial( publicação de 09/08/2007)

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Caminhos que nos levam:


“Noites Sem Fim I”

 

 

“Seu Presente...Seu Sonho...”

 


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Caminhantes desta estrada:



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Links que recomendamos:



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- Site do Muleke Malukinho

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Um Poema que vos deixo...

 

Não tenhas medo, ouve:

É um poema

Um misto de oração e de feitiço...

Sem qualquer compromisso,

Ouve-o atentamente,

De coração lavado.

Poderás decorá-lo

E rezá-lo

Ao deitar

Ao levantar,

Ou nas restantes horas de tristeza.

Na segura certeza

De que mal não te faz.

E pode acontecer que te dê paz...

 

 

(Miguel Torga in "Diário XIII")



£a£i


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Caminhantes desta estrada:


*Dixie*

caipira®

MONALISA

 

Mendigo.

ºsonhadoraº/ctba

Romantico

Mendi

Eu.

Liz

Nick

¬¬¢aro£¬¬

Jack (Wooz)

 

Carrapata

AnnaTerra©/RS

*pretinha*

Petuti

Måri@Rita®

Vë®ÐåÐë Pøë†ï¢å(M)

TEMPORAL

Maria*

•K•N•Z•

Frida...

Manoel Denys (Tonto)

Simone®

EXPERT

Ðistraíd@™

Isabel*

Kastrup CWBA

ApenasUmaLagrima®

 

*Nina*

MinaRebeldi

 

ô_ô filho da mãe®

Hellen

 

Moça de 40 e poucos

..

~~~peixinha~~~

..

 

*Moren@Flor*

Lord W 

ALEX-54  

Lu@na

Cavaleiro_Negro 

Angel §*.*§ 

 

{só}letrando 

Kássya (Avessa a Hortelã) 

 

Pão*TiMel*

Silencio

Crist@l

 

Isabel**

 

*ß룣zïñhä*

Rose Mori

 

Virgílio

 

Mendi® e CorcelNegro®

 

uMå nøtå §ø / M

 

S2 nø Þårtïø®(Fem)

 

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(Loirinho Bombril)


 
*vespa*
 

Pepita©

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Templates LaLi


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Encerramos com nosso amigo = §nïpër =  um lindo Blog... faço hoje o último post, e deixo nosso carinho e estima por todos que participaram do nosso "Noites sem Fim", que foi todo feito de sonhos, amôres, paixões...e músicas...

Que essa chama nunca se apague...

Beijos e felicidades a todos...em meu nome e em nome de toda a Equipe...£å£i.

Música - “arte de combinar harmoniosamente vários sons, frequen­temente de acordo com regras definidas”. Do grego mousiké, «relativo às musas», pelo latim musìca, «música; poesia».

Poesia - “arte que se distingue tradicionalmente da prosa pela com­posição em verso e pela organização rítmica das palavras, aliada a recursos estilísticos e imagéticos próprios”. Do grego poíesis, «acção de fazer alguma coisa», pelo italiano poe­sia, «poe­sia».

Música e Poesia… Uma combinação perfeita !!! Tudo é arte…

 = §nïpër =

 

PORQUE...(clik)

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem

E os seus gestos dão sempre dividendo.

Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos

E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner

É bem verdade que Poesia e Música andam de mãos dadas.
Não poderia apresentar uma sem lembrar a outra.
E de mãos dadas percorremos noites sem fins os caminhos da música e da poesia.
Fazemos de uma o complemento da outra.
E quando lemos em voz alta um poema, a voz torna-se música para os ouvidos.
E quando ouvimos silenciosamente uma música, ela é a poesia que imaginamos ler.
E quando lemos um lindo poema ao som de uma linda música... ai o mundo é perfeito

-ÞerÞetµal night-

Se eu fosse apenas(clik)


Se eu fosse apenas uma rosa,
com que prazer me desfolhava,
já que a vida é tão dolorosa
e não te sei dizer mais nada!


Se eu fosse apenas água ou vento,
com que prazer me desfaria,
como em teu próprio pensamento
vais desfazendo a minha vida!


Perdoa-me causar-te a mágoa
desta humana, amarga demora!
- de ser menos breve do que a água,
mais durável que o vento e a rosa...

Cecilia Meireles


FanatismoClik

 Florbela Espanca

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa...”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!...”

Homenagem de £å£i 

Para Perpetual dedicamos este poema...

 

ENTRE O SONO E SONHO

Fernando Pessoa

Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre —
Esse rio sem fim.

Agradecemos a nossa amiga Perpetual , pelo lindo trabalho que faz do nosso BLOG "Noites Sem Fim" o sucesso que é.

Beijos em seu coração

« §mi£ë » e °sonhadora°

A Equipe Noites tem a honra de apresentar e homenagear uma das mais dedicadas colaboradoras do Noites.

ºsonhadoraº/ctba por ela mesma:

Profissão: Artes
Escritora Amadora
Curitiba/PR - Brasil
"Tenho 3 filhos , adoro poesias , sempre escrevi. Pena que perdi muita coisa pois escrevia nos cadernos de escola. Sou formada em psicologia e filosofia, adoro a vida e sou uma eterna sonhadora. Sou Angela."

O recanto onde guardo meus escritos:
Página no Recanto das Letras: http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=41

 

VOCÊ MEU HOMEM

Quando o vi senti no ar
Que havia muito mais
Do que nossos
Olhos diziam...

Um beijo profundo nos uniu
Tão perfeita harmonia
Queríamos ali mesmo
Nos tocar...

Mas você me levou
Para um lugar.
Só nosso nunca antes
Imaginado ou visitado...

Você me amou, eu te amei.
Como nunca havíamos...
Amado antes
Seu fogo me incendiou...

Sua boca procurando
O âmago da minha sexualidade
E você todo carinho
Possui-me por inteiro

Fazendo com que o paraíso
Fosse junto de você,
Sendo um só corpo
O nosso corpo...

[Angela]

21/03/2007

(Rio de Janeiro RJ, 1865-1918) começou os cursos de Medicina, no Rio, e Direito, em São Paulo, mas não chegou a concluir nenhuma das faculdades. Em 1884 seu soneto Nero foi publicado na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro. Em 1887 iniciou carreira de jornalista literário e, em 1888, teve publicado seu primeiro livro, Poesias. Nos anos seguintes, publicaria crônicas, conferências literárias, discursos, livros infantis e didáticos, entre outros. Republicano e nacionalista, escreveu a letra do Hino à Bandeira e fez oposição ao governo de Floriano Peixoto. Foi membro-fundador da Academia Brasileira de Letras, em 1896.
Em 1907, foi o primeiro a ser eleito “príncipe dos poetas brasileiros”, pela revista Fon-Fon. De 1915 a 1917, fez campanha cívica nacional pelo serviço militar obrigatório e pela instrução primária. Destaca-se em sua obra poética o livro póstumo Tarde (1919). Parte das crônicas que escreveu em mais de 20 anos de jornalismo está reunida em livros, entre os quais Vossa Insolência (1996). Bilac, autor de alguns dos mais populares poemas brasileiros, é considerado o mais importante de nossos poetas parnasianos. No entanto, para o crítico João Adolfo Hansen, "o mestre do passado, do livro de poesia escrito longe do estéril turbilhão da rua, não será o mesmo mestre do presente, do jornal, a cronicar assuntos cotidianos do Rio, prontinho para intervenções de Agache e a erradicação da plebe rude, expulsa do centro para os morros".

 

Sacrilégio


Como a alma pura, que teu corpo encerra,
Podes, tão bela e sensual, conter?
Pura demais para viver na terra,
Bela demais para no céu viver.

Amo-te assim! - exulta, meu desejo!
É teu grande ideal que te aparece,
Oferecendo loucamente o beijo,
E castamente murmurando a prece!

Amo-te assim, à fronte conservando
A parra e o acanto, sob o alvor do véu,
E para a terra os olhos abaixando,
E levantando os braços para o céu.

Ainda quando, abraçados, nos enleva
O amor em que me abraso e em que te abrasas,
Vejo o teu resplandor arder na treva
E ouço a palpitação das tuas asas.

Em vão sorrindo, plácidos, brilhantes,
Os céus se estendem pelo teu olhar,
E, dentro dele, os serafins errantes
Passam nos raios claros do luar:

Em vão! - descerras úmidos, e cheios
De promessas, os lábios sensuais,
E, à flor do peito, empinam-se-te os seios,
Ameaçadores como dois punhais.

Como é cheirosa a tua carne ardente!
Toco-a, e sinto-a ofegar, ansiosa e louca.
Beijo-a, aspiro-a... Mas sinto, de repente,
As mãos geladas e gelada a boca:

Parece que uma santa imaculada
Desce do altar pela primeira vez,
E pela vez primeira profanada
Tem por olhos humanos a nudez...

Embora! hei de adorar-te nesta vida,
Já que, fraco demais para perdê-la,
Não posso um dia, deusa foragida,
Ir amar-te no seio de uma estrela.

Beija-me! Ficarei purificado
Com o que de puro no teu beijo houver;
Ficarei anjo, tendo-te ao meu lado:
Tu, ao meu lado, ficarás mulher.

Que me fulmine o horror desta impiedade!
Serás minha! Sacrílego e profano,
Hei de manchar a tua castidade
E dar-te aos lábios um gemido humano!

E à sombria mudez do santuário
Preferirás o cálido fulgor
De um cantinho da terra, solitário,
Iluminado pelo meu amor...

Homenagem de *Petuti* e *Pretinha* a Olavo Bilac ...



- Postado por: uns e outros às 00h06
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 20/03/2007

E como hoje, 20 de março, é o DIA DO BLOGUEIRO, a Sandra Vls nos presenteia com uma homenagem especial do poeta ARAMIS sobre a data. Somos blogueiros, blogueiros poetas, blogueiros "copiadores de poetas", blogueiros leitores, Blogueiros do Bem.

 

A RESPONSABILIDADE DOS BLOGUEIROS

Somos “BLOGUEIROS”; Que bom!
Temos nosso ego massageado a cada vez que lemos um comentário que nos agrada. E nos magoamos ou nos irritamos, quando estes são contrários.
Porém, quase nunca, ou a maioria de nós, não enxerga a nossa verdadeira importância e responsabilidade.
Somos os condutores daquilo que cobramos das autoridades. Somos para muitos a luz de uma cegueira imposta. Somos “BLOGUEIROS”.
Possuímos o dom e a oportunidade das palavras. Muitas vezes de nossa própria autoria. Em outras, cuidadosamente selecionada através de nossos sentimentos. E somos lidos e sentidos por milhões de pessoas.
Somos formadores de opiniões, (pensem bem nisso).
A nossa responsabilidade vai além de uma declaração de amor à pessoa amada, por este maravilhoso veículo chamado “INTERNET”. Ou de um ato rebelde de desagravo, por um mau momento político ou social vivido. Temos a responsabilidade de levarmos o conhecimento às pessoas. Mesmo que involuntariamente, estamos fazendo a nossa parte. Devemos nos conscientizar disso.
Mas alguns dirão: - Apenas uma pequena casta da sociedade tem acesso ao computador e cultura suficiente para entender os BLOGS, ou mesmo interesse.
Aí eu respondo: - De uma pequena e ínfima semente germinada, é que nascerá a macieira cujo seus frutos saciarão a fome do saber. Estamos criando uma nova sociedade e ainda não nos apercebemos disso.
Pensem, que talvez nesse exato momento, lá no “sertãozão” do interior do país, em uma pequena escola, uma professora primária esteja apresentando a seus alunos, esfomeados do saber, o que é essa maquina maravilhosa e esse veiculo futurista chamado “internet”.
E ela por curiosidade abre a página do “Blog” de um de nós e se deleita com nossas palavras. Pronto, lá estamos nós influenciando uma nova geração.
Portanto, temos além do prazer de levarmos lindas palavras a quem nos lê, a responsabilidade de, por sermos formadores de opiniões, ensinarmos e passarmos a idéia de que é necessário que cada um saiba pensar por si próprio. E não esperar que pensem ou decidam por nós. “SOMOS BLOGUEIROS”

ARAMIS – 06/03/07.

Måri@Rita® homenageia: Fernanda Guimarães poetisa cearense e mora em Fortaleza. Grande poetisa, surgiu em meio à democratização da cultura na Internet, mas chegou para ficar. Segundo ela mesma, "Minha paixão: a vida e todos os caminhos do coração quefazem meus passos melhores. Aprendiz, intuitiva e sonhadora. Realidade para mim é o sonho de alguém que acreditou."

Amanhã


Amanhã
Não acordarão restos de trevas em mim
Descobrirei pássaros a cantar em meus olhos
E voaremos descalços em cada alvorada

Amanhã
Não me permitirei a couraça da solidão
Nem enclausurarei palavras estéreis em meu coração
Darei guarida ao vento, espalhando sem pejo meus sonhos

Amanhã
Não esperarei o tempo escorrer em meus dedos
Nem entre novelos tecerei tristezas e lágrimas
Pintarei de arco-íris a aquarela que agoniza em meu peito

Amanhã
Não deixarei que semeiem pântanos ao meu redor
Nem que fossos me distanciem dos meus desejos
Sempre haverá uma primavera desabrochando em mim

Amanhã
Não naufragarei minhas esperanças e alegrias
Na letargia afônica das minhas mãos
Navegarei sem temor pelos oceanos das oportunidades

Amanhã
Não confiarei apenas ao destino meus sorrisos
Nem permitirei que meus lábios emudeçam carinhos
Engravidarei de sol, iluminando o ventre do mundo

Amanhã
Não me perderei em meus labirintos de impossibilidades
Nem deixarei qualquer dor me estilhaçar
Ainda que permaneça cristal...

Nandinha Guimarães

Minha homenagem para essas mulheres gaúchas que tanto contribuem para nossa cultura! « §mi£ë »

 


"Não existe isso de homem escrever com vigor e
mulher escrever com fragilidade.
Puta que pariu, não é assim. Isso não existe.
É um erro pensar assim.
Eu sou uma mulher.
Faço tudo de mulher, como mulher.
Mas não sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem.
Não necessito de proteção de homem nenhum.
Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero,
querem mesmo é explorar seus maridos.
Isso entra também na questão literária.
Não existe isso de homens com escrita vigorosa,
enquanto as mulheres se perdem na doçura.
Eu fico puta da vida com isso.
Eu quero escrever com o vigor de uma mulher.
Não me interessa escrever como homem."

Lya Luft


Canção na plenitude

Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

Martha Medeiros

Quando chegar...

quando chegar aos 30
serei uma mulher de verdade
nem Amélia num ninguém
um belo futuro pela frente
e um pouco mais de calma talvez

e quando chegar aos 50
serei livre, linda e forte
terei gente boa ao lado
saberei um pouco mais do amor
e da vida quem sabe

e quando chegar aos 90
já sem força, sem futuro, sem idade
vou fazer uma festa de prazer
convidar todos que amei
registrar tudo que sei
e morrer de saudade

Martha Medeiros

 

O que é o amor?

Já falou-se tanto em amor, amizade e paixão...
Que tal falarmos do que NÃO é amor ?
Se você precisa de alguém para ser feliz, isso não é amor.
É carência.
Se você tem ciúme, insegurança e faz qualquer coisa para conservar alguém ao seu lado, mesmo sabendo que não é amado, e ainda diz que confia nessa pessoa, mas não nos outros, que lhe parecem todos rivais, isso não é amor. É falta de amor próprio.
Se você acredita que "ruim com ela(e), pior sem ela(e)", e sua vida fica vazia sem essa pessoa; não consegue se imaginar sozinho e mantém um relacionamento que já acabou só porque não tem vida própria - existe em função do outro - isso não é amor. É dependência.
Se você acha que o ser amado lhe pertence; sente-se dono(a) e senhor(a) de sua vida e de seu corpo; não lhe dá o direito de se expressar, de ter escolhas, só para afirmar seu domínio, isso não é amor. É egoísmo. Se você não sente desejo; não se realiza sexualmente; prefere nem ter relações sexuais com essa pessoa, porém sente algum prazer em estar ao lado dela, isso não é amor. É amizade.
Se vocês discutem por qualquer motivo; morrem de ciúmes um do outro e brigam por qualquer coisa; nem sempre fazem os mesmos planos; discordam em diversas situações; não gostam de fazer as mesmas coisas ou ir aos mesmos lugares, mas sexualmente combinam perfeitamente, isso não é amor. É desejo.
Se seu coração palpita mais forte; o suor torna-se intenso; sua temperatura sobe e desce vertiginosamente, apenas em pensar na outra pessoa, isso não é amor. É paixão.
Agora, sabendo o que não é amor, fica mais fácil analisar, verificar o que está acontecendo e procurar resolver a situação. Ou se programar para atrair alguém por quem sinta carinho e desejo; que sinta o mesmo por você, para que possam construir um relacionamento equilibrado no qual haja, aí sim, este é o verdadeiro e eterno AMOR. Meu pai disse-me um dia: "Filho... você terá três tipos de pessoa na sua vida: - Uma AMIGA,aquela pessoa que você terá sempre em grande estima, que você sabe que poderá contar sempre; que bastará você insinuar que está precisando de ajuda e a ajuda está sendo dada;
- Uma AMANTE, aquela pessoa que faz o seu coração pulsar; que fará com que você flutue e nada importará quando vocês estiverem juntos;
- Uma PAIXÃO, aquela pessoa que você amará, desejará incondicionalmente, às vezes nem lhe importanto se ela lhe quer ou não, e talvez ela nem fique sabendo disso.
Mas, se você conseguir reunir essa três pessoas numa só - pode ter certeza meu filho - Você terá encontrado a felicidade."

Homenagem anônima a Augusto Schimanski - 1928/1973

Homenagem de °sonhadora° ... Vinicius de Moraes


Soneto a Katherine Mansfield
 
O teu perfume, amada — em tuas cartas
Renasce, azul... — são tuas mãos sentidas!
Relembro-as brancas, leves, fenecidas
Pendendo ao longo de corolas fartas.
 
Relembro-as, vou... nas terras percorridas
Torno a aspirá-lo, aqui e ali desperto
Paro; e tão perto sinto-te, tão perto
Como se numa foram duas vidas.

Pranto, tão pouca dor! tanto quisera
Tanto rever-te, tanto!... e a primavera
Vem já tão próxima! ...(Nunca te apartas

Primavera, dos sonhos e das preces!)
E no perfume preso em tuas cartas
À primavera surges e esvaneces.

*

Vinicius, com este soneto, presta uma homenagem a Katherine Mansfield, nascida da Nova Zelândia e desde há muito considerada uma das melhores escritoras da língua inglesa. Extraído do livro 'Vinicius de Moraes - Poesia Completa e Prosa', Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 250. Abaixo, a tradução do soneto para a língua inglesa, realizada por Regina Werneck:

Sonnet to Katherine Mansfield

Your perfume, beloved — in your letters
Reborn, blue...— it's your afflicted hands!
I remember them white, light, withered
Pending along abundant corollas.

I remember them, I go... in lands gone through
I inhale it again, here and there awakened
I stop; and so close I feel you, so close
As if in one we had two lives.

Weeping, so little pain! so much I wished
So much to see you again, so much!... and the spring
Already comes so close!... (will you never part

Spring, from dreams and from prayers!)
And in the imprisoned perfume in your letters
To the spring appears and evanesces.


Violetas
 
 lá fora chove
 e nada do que digo
 é o que queria dizer
 
 : estou imóvel
 e tenho a pressa de uma presa sem saída
 ante o felino
 eternamente a preparar
 o bote sem desejo
 – e a agonia poreja das paredes
 
 asas coladas
 voltamos ao casulo
 viscosos seres
 unidos no tormento
 de um antigo momento que não volta
 
 além dessas janelas
 a vida comemora seus enigmas
 quatro estações e luas
 e o vento vibra
 por suas ruas e praças
 
 em curva infiltração
 apodrecemos
 violetas
 o caule a desfazer-se
 
 Adelaide Amorim
 
Homenagem de £å£i

 Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

[Sophia de Mello Breyner Andresen]

Homenagem de Perpetual Nigth



- Postado por: uns e outros às 00h05
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19/03/2007

 


A SEMANA DA POESIA

A semana da poesia, a semana das palavras e dos sentimentos. Qual o real valor das palavras?

Já foi dito: “AS PALAVRAS O VENTO AS LEVA”

Eu ousaria dizer: “AS PALAVRAS TEM O PODER DA ESPADA E DA PÁ DO PEDREIRO”. Pode-se apenas com elas se derrubar governos. Criar-se um povo, ou edificar-se civilizações inteiras.

Os homens são eternizados por suas palavras em forma de frases: (SE DEZ VIDAS EU TIVESSE, DEZ VIDAS DARIA POR ESTA MESMA CAUSA – TIRADENTES) – (A TERRA É AZUL – YURI GAGARIN) – (DEIXO A VIDA PARA ENTRAR NA HISTÓRIA – GETULIO VARGAS) E tantos outros.

As palavras em forma de poesias também eternizam seus autores e influenciam várias gerações. Pois a poesia transcende ao tempo e espaço. A poesia ao entrar por nossos olhos, ao lê-las. Por nossos ouvidos, ao escutá-las. Ou por nossas mãos ao tateá-las em braille, como cegos. Transformam-se em sentimentos e mudam vidas.
Esta homenagem que está sendo feita à esses e essas imortais da literatura mundial, nada mais é, do que um ínfimo reconhecimento pela grandiosidade de seus feitos na utilização das lâminas ou das pétalas das palavras por eles e elas lançadas ao ar.

Não citarei nomes dos grandes poetas e poetisas, para não cometer a injustiça de deixar alguns sem serem mencionados. O que seria um erro imperdoável.

Quero parabenizar à toda equipe do “NOITES SEM FIM” e a todos que participaram destas homenagens. E por esse banho de cultura, que gostaria com todo o meu ardor, de que todos os brasileiros pudessem ter acesso.

Está lançada a semente. Que ela germine.

MEU CARINHO E MEU RESPEITO A TODOS...


ARAMIS – 18/03/07.

 

Minha homenagem ao maior poeta gaúcho,  Jayme Caetano Braun!!!



Amargo

Velha infusão gauchesca
De topete levantado
O porongo requeimado
Que te serve de vazilha
Tem o feitio da coxilha
Por onde o guasca domina,
E esse gosto de resina
Que não é amargo nem doce
É o beijo que desgarrou-se
Dos lábios de alguma china!

A velha bomba prateada
Que atrás do cerro desponta
Como uma lança de ponta
Encravada no repecho
Assim jogada ao desleixo
Até parece que espera
O retorno de algum cuera
Esparramado do bando
Que decerto anda peleando
Nalgum rincão de tapera!

Velho mate-chimarrão
As vezes quando te chupo
Eu sinto que me engarupo
Bem sobre a anca da história,
E repassando a memória
Vejo tropilhas de um pêlo
Selvagens em atropelo
Entreverados na orgia
Dos passes de bruxaria
Quando o feiticeiro inculto
Rezava o primeiro culto
Da pampeana liturgia!
Nessa lagoa parada
Cheia de paus e de espuma
Vão cruzando uma, por uma,
Antepassadas visões
Fandangos e marcações
Entreveros e bochinchos
Clarinadas e relinchos
Por descampados e grotas,
E quando tu te alvorotas
No teu ronco anunciador
Escuto ao longe o rumor
De uma cordeona floreando
E o vento norte assobiando
Nos flecos do tirador!

Sangue verde do meu pago
Quando o teu gosto me invade
Eu sinto necessidade
De ver céu e campo aberto
É algum mistério por certo
Que arrebentando maneias
Te faz corcovear nas veias
Como se o sangue encarnado
Verde tivesse voltado
Do curador das peleias!

Gaudéria essência charrua
Do Rio Grande primitivo
Chupo mais um, pra o estrivo
E campo a fora me largo,
Levando o teu gosto amargo
Gravado em todo o meu ser,
E um dia quando morrer,
Deus me conceda esta graça
De expirar entre a fumaça
Do meu chimarrão querido
Porque então irei ungido
Com água benta da raça!!!

Jayme Caetano Braun 

Homenagem de « §mi£ë »

 

E a Equipe Noites homenageia mais esta blogueira/poeta que nos encanta com seus versos falando de amor.

*Ðistraíd@™

Distraidamente derrama melodias e suavidade por onde passa. A ela nosso carinho e agradecimento pela valiosa colaboração.



Em todos os idiomas que se pode escrever
a linguagem do poeta é eterna
navega em suas fontes emotivas
como as ondas do mar
deixa-se flutuar um barco a deriva
fecunda os seus amores em versos
em mãos liberta suas fusões
dilacera seus temores
realça seus amores.

E FIM...



Em sonhos escondidos,choros sufocados
esperanças de quem,já não encontra algum caminho
céu nublado, corpo inerte
sem vida!
só sombras à vagar
solidão!
passos tímidos
cansados
coração dilacerado
espera de movimentos
procurados,desencontrados
destemido ,vaga na poesia
da mesma calma
que um dia já teve,
conteve...
lembranças de quem..
já não existe.
crateras escondidas
na soleira do adeus
nuvens espalhadas
no espaço
de um mundo perdido
sem cor, sem vida
sem motivos para sonhar
apenas um sonho....
inacabado

 

~~~peixinha~~~ homenageia Louise Tommasi, num rasgo de erotismo, caracterísca marcante nos poemas dessa poetisa.



"Um copo na mão
um papel em branco
e um coração lotado
de coisas para dizer"

Deixa eu sugar
a doçura que da tua boca escorre
e encharca a tua roupa amarrotada
de tanto me amassar
Deixa eu adivinhar o desenho do teu corpo
com a minha mão suada e quente
de tanto te desbravar
Deixa que eu saia do texto, do contexto
na multiplicidade do chegar ao topo
do meu te assanhar
percorrendo milimetricamente
o canal que escoa
a minha fina garoa
do teu me provocar
Recuperando suave os sentidos
sussurra baixinho no ouvido
que adorou me amar

Louise Tommasi
 



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18/03/2007


JOSÉ

Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José ?

e agora, você ?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama protesta,

e agora, José ?

 

Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José ?

 

E agora, José ?

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio - e agora ?

 

Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora ?

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse…

Mas você não morre,

você é duro, José !

 

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José !

José, pra onde ?

Homengem de °sonhadora°

 
Minha homenagem ao poeta,monge e sacerdote, que soube descrever em palavras todo seu viver em clausura. O meu mais profundo respeito. Luís José Junqueira Freire nasceu em Salvador em 1832 e faleceu no mesmo local em 1855. O monge beneditino, sacerdote e poeta, nasceu e morreu em Salvador. Por motivos familiares, ingressou na Ordem dos Beneditinos em 1851 e permaneceu enclausurado até 1854, quando lhe foi concedida a secularização, que lhe permitiria libertar-se da disciplina imposta pela igreja, embora continuasse a ser sacerdote, devido aos votos perpétuos. As dramáticas e desesperadas experiências que Junqueira Freire passou dentro do sacerdócio, e dentro do convívio familiar, irão refletir-se em toda a sua obra poética, fortemente autobiográfica. Nela se pode constatar a notória crise de morais e conceitos com que a igreja convivia no século XIX, refletida nos seus versos, onde é marcante todo o seu conflito entre a vida religiosa e a revolta com os fatos que presenciou dentro dela. Sua falta de vocação e seu desejo ardente pelos prazeres do mundo também são expressos com um forte lirismo e ao mesmo tempo com um constante pessimismo e tristeza. O amor, contrastando com a sexualidade reprimida, a consciência do pecado e o sentimento de culpa, levam-no várias vezes a desejar ardorosamente a cura e o alívio da morte, dando-lhe a afinidade de uma amiga portadora da paz eterna.


Soneto

Arda de raiva contra mim a intriga,
Morra de dor a inveja insaciável;
Destile seu veneno detestável
A vil calúnia, pérfida inimiga.

Una-se todo, em traiçoeira liga,
Contra mim só, o mundo miserável.
Alimente por mim ódio entranhável
O coração da terra que me abriga.

Sei rir-me da vaidade dos humanos;
Sei desprezar um nome não preciso;
Sei insultar uns cálculos insanos.

Durmo feliz sobre o suave riso
De uns lábios de mulher gentis, ufanos;
E o mais que os homens são, desprezo e piso.


Homenagem de Mendigo.
 

Alice Ruiz nasceu em Curitiba, PR, em 22 de janeiro de 1946. Começou a escrever contos com 9 anos de idade, e versos aos 16. Foi "poeta de gaveta" até os 26 anos, quando publicou, em revistas e jornais culturais, alguns poemas. Mas só lançou seu primeiro livro aos 34 anos. Aos 22 anos casou com Paulo Leminski e pela primeira vez, mostrou a alguém o que escrevia. Surpreso, Leminski comentou que ela escrevia haikais, termo que até então Alice não conhecia. Mas encantou-se com a forma poética japonesa, passando então estudar com profundidade o haicai e seus poetas, tendo traduzido quatro livros de autores e autoras japonesas, nos anos 1980. Teve três filhos com o poeta: Miguel Ângelo Leminski, Áurea Alice Leminski e Estrela Ruiz Leminski. Alice convence a gente que no fundo de cada um existe um poeta louco pra despertar, e descobrimos surpresos que sim, é possível!


Teu corpo seja brasa

teu corpo seja brasa
e o meu a casa
que se consome no fogo


um incêndio basta
pra consumar esse jogo
uma fogueira chega
pra eu brincar de novo

Alice Ruiz

Homengem de Mendigo.

 
CLARICE LISPECTOR

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa.
Não altera em nada...
Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas.
A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."

Precisão

O que me tranqüiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição

Homenagem de « §mi£ë »

 



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18/03/2007

De: Glorinha-)

Deixo aqui minha sincera homenagem a Vinicius de Moraes, grande poeta brasileiro, tocante, profundo e maravilhoso... Ofereço essa obra prima a minha querida Perpetual, que me fez acordar para essa arte maravilhosa que é a poesia, a tempos esquecida por muitos,
Grande beijo.

Soneto da fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama


Eu possa (me) dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure


 


 18/03/2007

Nossa homenagem a mais uma poeta blogueira do Noites que nos encanta com seus versos...a poetinha Angel §*.*§

Noite Ardente

Sonhando... Caminho pela noite extasiada
Na companhia de uma lua ensolarada
E minha sombra, por sua luz delineada!

Ouço passos... Mas, não são os meus!
Serão esses, os de minha sombra
Que ao rodopiar me deixa tonta?!

Não... Ledo engano o meu!
O som que meu sentido absorveu
É peculiar dos passos teus!

Vem... Espero por você ansiosamente
Embriagada por teu perfume entorpecente
Que antecede tua silhueta envolvente!

Será coisa da minha mente?!
Estou a sonhar novamente
Com você irradiante à minha frente?!

Ai... Que dúvida latente
Esta que se faz presente
Criando pensamentos reticentes!

Inconsequente... Torno-me amante caliente
E como cúmplices deste amor incandescente:
A lua resplandecente... As sombras reluzentes...Você e o duende!

Ju Mattos

 


18/03/2007

Noites Sem Fim homenageia, Joaquim Maria Machado de Assis. Poeta, romancista, novelista, contista, cronista, dramaturgo, ensaísta e crítico, nasceu e morreu na cidade do Rio de Janeiro, respectivamente, em 21/06/1839 e 29/09/1908. Sua obra tem raízes nas tradições da cultura européia e transcende a influência das escolas literárias nacionais.Sua obra divide-se em duas fases, uma romântica e outra parnasiano-realista, quando desenvolveu seu inconfundível estilo desiludido, sarcástico e amargo.O domínio da linguagem é sutil e o estilo é preciso, reticente. O humor pessimista e a complexidade do pensamento, além da desconfiança na razão (no seu sentido cartesiano e iluminista), fazem com que se afaste de seus contemporâneos. Publicou quatro livros de poesia. "Crisálidas" (1864) e "Falenas" (1870) mostram nítida influência de Castro Alves, com alguma pregação dos ideais de liberdade. Em "Americanas" (1875) as influências alencarinas são patentes, e o próprio Machado vale-se do recurso da metalinguagem externa em uma importante advertência inicial de que o assunto do livro não era unicamente os aborígenes brasileiros. "Ocidentais" (1901) já mostra elementos do realismo: ironia, niilismo, recuperação do tempo perdido. É a referência clássica da literatura brasileira, considerado o maior escritor do país e um mestre da língua.

Relíquia íntima


Ilustríssimo, caro e velho amigo,
Saberás que, por um motivo urgente,
Na quinta-feira, nove do corrente,
Preciso muito de falar contigo.

E aproveitando o portador te digo,
Que nessa ocasião terás presente,
A esperada gravura de patente
Em que o Dante regressa do Inimigo

Manda-me pois dizer pelo bombeiro
Se às três e meia te acharás postado
Junto à porta do Garnier livreiro:


Senão, escolhe outro lugar azado;
Mas dá logo a resposta ao mensageiro,
E continua a crer no teu Machado.

Machado de Assis

 

Noites Sem Fim homenageia,  Humberto de Campos em Miritiba, nascido em Maranhão, em 25.10.1886, filho de Joaquim Veras e Anna de Campos. Em 1910, publica seu primeiro livro de poesias, "Poeira", ao qual se seguiram mais dois, que, em 1933, são agrupados num só volume sob o nome de "Poesias Completas". Em 1918, publica seu primeiro livro de prosa "Seara de Booz", constituído de pequenos artigos escritos entre 1915 e 1916, sob o pseudônimo de Micromegas. A este se seguiram, entre outros, Mealheiro de Agripa, Crítica ( em 4 volumes), Carvalho e Roseiras, Sombras que sofrem, Os Párias, Destinos, Memórias, Memórias Inacabadas, O Monstro e outros contos, Sepultando os meus mortos, Lagartas e Libélulas, À sombra das tamareiras e Notas de um diarista..Em 1919, entra para a Academia Brasileira de Letras. "Dele, seu biógrafo Macário de Lemos Picanço diz o seguinte: "Poeta, anedotista, contista, ensaísta, cronista, autobiografista, a obra literária de Humberto de Campos apresenta altos e baixos, mas o que é alto tem a claridade da luz e a simplicidade das almas sãs. Possuidor de estilo fácil, corrente, sem as frases empoladas, qualquer pessoa podia compreendê-lo. Não tinha artifícios, não tinha preocupação de retumbância. Ao contrário, escrevia com a maior naturalidade e as fantasias, as imagens, as expressões poéticas lhe vinham sem esforço. Faleceu em 5.12.1934, aos 48 anos de idade.

DOR

Humberto campos

"Há de ser uma estrada de amarguras
a tua vida. E andá-la-ás sozinho,
vendo sempre fugir o que procuras
disse-me um dia um pálido advinho.

"No entanto, sempre hás de cantar venturas
que jamais encontraste... O teu caminho,
dirás que é cheio de alegrias puras,
de horas boas, de beijos, de carinho..."

E assim tem sido... Escondo os meus lamentos:
É meu destino suportar sorrindo
as desventuras e os padecimentos.

E no mundo hei de andar, neste desgosto,
a mentir ao meu íntimo, cobrindo
os sinais destas lágrimas no rosto

 
Noites Sem Fim homenageia, José Marques Casimiro de Abreu, Nascido na fazenda Indaiaçu, em Barra de São João (RJ),  cedo abandona os estudos secundários, dedicando-se, por influência paterna, ao comércio. Entre 1853 e 1857, vive em Portugal. Retornando ao Rio de Janeiro, o jovem comerciante leva vida boêmia e publica, com sucesso, seu livro As Primaveras (1859). No ano seguinte, morre tuberculoso. Sua poesia, bastante popular, pouco apresenta de inovador. Conhecido como "o poeta da infância", desdobra-se em lamentos exacerbados sobre a pureza perdida. No poema “Amor e Medo”, sintetiza a insegurança adolescente frente ao sexo, o que levou Mário de Andrade a agrupa os poetas do período sob a denominação de “geração do Amor e Medo”. Certamente quem tem mAis de 40 anos, não se lembra das poesias que tinhamos que decorar para aula de literatura como "Canção do Exilio" e "Meus Oito Anos".

 


Canção do exílio

Se eu tenho de morrer na flor dos anos
Meu Deus! não seja já;
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
Cantar o sabiá!

Meu Deus, eu sinto e tu bem vês que eu morro
Respirando este ar;
Faz que eu viva, Senhor! dá-me de novo
Os gozos do meu lar!

O país estrangeiro mais belezas
Do que a pátria não tem;
E este mundo não vale um só dos beijos
Tão doces duma mãe!

Dá-me os sítios gentis onde eu brincava
Lá na quadra infantil;
Dá que eu veja uma vez o céu da pátria,
O céu do meu Brasil!

Se eu tenho de morrer na flor dos anos
Meu Deus! não seja já!
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
Cantar o sabiá!

Quero ver esse céu da minha terra
Tão lindo e tão azul!
E a nuvem cor-de-rosa que passava
Correndo lá do sul!

Quero dormir à sombra dos coqueiros,
As folhas por dossel;
E ver se apanho a borboleta branca,
Que voa no vergel!

Quero sentar-me à beira do riacho
Das tardes ao cair,
E sozinho cismando no crepúsculo
Os sonhos do porvir!

Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
Meu Deus! não seja já;
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
A voz do sabiá!

Quero morrer cercado dos perfumes
Dum clima tropical,
E sentir, expirando, as harmonias
Do meu berço natal!

Minha campa será entre as mangueiras,
Banhada do luar,
E eu contente dormirei tranqüilo
À sombra do meu lar!

As cachoeiras chorarão sentidas
Porque cedo morri,
E eu sonho no sepulcro os meus amores
Na terra onde nasci!

Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
Meu Deus! não seja já;
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
Cantar o sabiá!

 

MEUS OITO ANOS

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!


Homenagem de Perpetual Nigth


 



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17/03/2007

GIBRAN KAHLIL GIBRAN

Seu nome completo é Gibran Kahlil Gibran. Assim assinava em árabe. Em inglês, preferiu a forma reduzida e ligeiramente modificada de Khalil Gibran.1883 - Nasceu em 6 de dezembro, em Bsharri, nas montanhas do Líbano, a uma pequena distância dos cedros milenares.
1894 - Emigra para os Estados Unidos, com a mãe, o irmão Pedro e as duas irmãs Mariana e Sultane. Vão morar em Boston. O pai permanece em Bsharri.

1898/1902 - Vota ao Líbano

1902/1908 - De novo em Boston. Sua mãe e seu irmão morrem em 1903.

1908/1910 - Em Paris. Estuda na Académie Julien.

1905/1920 - Gibran escreve quase que exclusivamente em árabe e publica sete livros.

1918/1931 - Gibran deixa, pouco a pouco, de escrever em árabe e dedica-se ao inglês

1931 - Gibran morre em 10 de abril, no Hospital São Vicente, em Nova York, no decorrer de uma crise pulmonar que o deixara inconsciente.


O LOUCO


Khalil Gibran

Perguntais-me como me tornei louco.
Aconteceu assim:
um dia, muito tempo antes
de muitos deuses terem nascido,
despertei de um sono profundo
e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas - as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas -e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando:
"Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"
Homens e mulheres riram de mim
e alguns correram para casa, com medo de mim e quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou:
"É um louco!".
Olhei para cima, pra vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras.

E, como num transe, gritei:
"Benditos, bendito os ladrões
que roubaram minhas máscaras!"
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: e a segurança de não ser compreendido, pois aquele desigual que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

Sandra Vls

 


AMOR BASTANTE

 quando eu vi

você

tive uma ideia

brilhante

foi como se eu olhasse

de dentro de um diamante

e meu olho ganhasse

mil faces num só intante

basta um instante

e você tem amor bastante


Paulo Liminski 

Homenagem de °sonhadora°

  


MISSÃO

JG de Araújo Jorge

Meus versos terão cumprido a sua missão
se puderem ser pedra e areia
servirem de barricada.

Se puderem ser o hino, quando o desânimo
se levantar como a poeira dos escombros.

Se puderem permanecer no alto, como a bandeira
rasgada e irreconhecível, mas tremulando.

Terão cumprido a sua missão
se na hora em que precisarem deles
não negarem fogo como a boa arma,
se outros puderem ouvi-lo, como o esperanto,
depois da vitória do homem e da vitória do povo.

(Poesia de JG de Araújo Jorge)

Homenagem de °sonhadora°

  


HILDA HILST


Um poeta brasileira de Jaú - SP
21.04.1930 - 04.02.2004

"E isso é tanto, que o teu ouro não compra,
E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto
Não cabe no meu canto
Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas
escomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te
ôfrega
Como se fosses morrer colado à
minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do
amanhecer."

« §mi£ë » 

  



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17/03/2007

De Glorinha):

Minha homenagem a Cecília Meireles.

Canção Minima

No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;

no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de uma borboleta

(Cecília Meireles)

 


Amigas lindas
Boa tarde pra todas.
Eu aqui novamente para prestar homenagem ao meu poeta maior, Mário Quintana.
Por favor, gostaria muito de homenagea-lo e tbem a vcs pelo brilhante trabalho desempenhado em prol da poesia.

Um beijo grande, AnnaTerra©/RS


Quem Ama Inventa

Quem ama inventa as coisas a que ama...
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava...
E era um revôo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições...
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho...
Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado... e ter vivido o sonho!

 


Não poderia deixar de homenagear aqui a primeira homenageada do Noites Sem Fim...

Florbela Espanca, de todas as poetisas a que mais me encanta e comove. (...)Com a sua personalidade de uma riqueza interior excepcional, escreveu os seus versos com uma perturbação ardente, revelando um erotismo feminino transcendido, pondo a nu a intimidade da mulher, dando novos rumos à consciência literária nascida de vivências femininas. A sua Poesia é de uma imensa intensidade lírica e profundo erotismo. Cultivou exacerbadamente a paixão, com voz marcadamente feminina sem que alguns críticos não deixem de lhe encontrar, por isso mesmo, um "dom-joanismo no feminino". O sofrimento, a solidão, o desencanto, aliados a imensa ternura e a um desejo de felicidade e plenitude que só poderão ser alcançados no absoluto, no infinito, constituem a temática veiculada pela veemência passional da sua linguagem. Transbordando a convulsão interior da poetisa pela natureza, a paisagem da charneca alentejana está presente em muitas das suas imagens e poemas.(...)*

DESEJOS VÃOS

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o sol, a luz intensa
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão é até da morte!

Mas o mar também chora de tristeza...
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos céus, os braços, como um crente!

E o sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as pedras... essas... pisa-as toda a gente!...

Fonte: http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/Florb-Espanca.htm

por ÞerÞetµal nigth
 

 

Não poderia deixar de homenagear meu poeta preferido...

°sonhadora°

O biógrafo de Vinicius, José Castello, autor do excelente livro "Vinicius de Moraes" : o Poeta da Paixão - uma biografia" nos diz que o poeta foi um homem que viveu para se ultrapassar e para se desmentir. Para se entregar totalmente e fugir, depois, em definitivo. Para jogar, enfim, com as ilusões e com a credulidade, por saber que a vida nada mais é que uma forma encarnada de ficção. Foi, antes de tudo, um apaixonado — e a paixão, sabemos desde os gregos, é o terreno do indomável. Daí porque fazer sua biografia era obra ingrata. Dele disse Carlos Drummond de Andrade: "Vinicius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural". "Eu queria ter sido Vinicius de Moraes". Otto Lara Resende assim o definiu: "Manuel Bandeira viveu e morreu com as raízes enterradas no Recife. João Cabral continua ligado à cana-de-açúcar. Drummond nunca deixou de ser mineiro. Vinicius é um poeta em paz com a sua cidade, o Rio. É o único poeta carioca". Mas ele dizia nada mais ser que "um labirinto em busca de uma saída". O que torna Vinicius um grande poeta é a percepção do lado obscuro do homem. E a coragem de enfrentá-lo. Parte, desde o princípio, dos temas fundamentais: o mistério, a paixão e a morte. Quando deixa a poesia em segundo plano para se tornar show-man da MPB, para viver nove casamentos, para atravessar a vida viajando, Vinicius está exercendo, mais que nunca, o poder que Drummond descreve, sem conseguir dissimular sua imensa inveja: "Foi o único de nós que teve a vida de poeta".

 

POEMA ENJOADINHO

Filhos...Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como o queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filho? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

(Antologia Poética)

 

 

Paulo Leminski

Não poderia também deixar de homenagear o poeta daqui da minha terra. *1944, Curitiba, Paraná, 24 de agosto, nascimento de Paulo Leminski Filho. Filho de Paulo Leminski e Áurea Pereira Mendes Leminski.  *1970/1989, Curitiba, Paraná, redator de publicidade. Músico e letrista. Canções gravas por Caetano, A Cor do Som. *1975, Curitiba, PR, publicação de Catatau, um romance experimental. *1984/1986, Curitiba, PR, tradutor de Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Becktett e Yukio Mishima.*1986, São Paulo, SP, publicação do livro infanto-juvenil Guerra dentro da gente. *1989 – Curitiba, PR, 07 de junho: morte.

Paulo Leminski foi um estudioso da língua e cultura japonesas e publicou em 1983 uma biografia de Bashô. Sua obra tem exercido marcante influência em todos os movimentos poéticos dos últimos 20 anos.

°sonhadora°

"É isto. tua poesia inesperada. palavra
cáustica, achada e fervida nas águas
do planeta palavrarte . chá de semântica.
chão e tempero. mãos. xiz. conhaques,
taxis. bashô nas nuvens cinzas de curitiba.
alguma coisa nas entrelinhas, não fosse
tanto. súbito a palavra, essa poesia."

 

17/03/2007

Minha homenagem a uma amiga linda e muito querida: Ester K. Vive na Lua, embora insista em pousar em SP. Sua maior paixão? A vida. Como se define? Reservada, tímida e contraditoriamente, falante. Considerada umas das melhores poetisas da nossa rede de internet. Sua poesia faz-se melodiosa e toma formas. Coloca no papel sentimentos reais e vividos. Não deixa morrer a esperança e numa entrega, própria de grandes almas, plenifica-se no amor absoluto e verdadeiro. Enxuga o pranto, escondendo-se nas lágrimas vertidas e extravasa em versos profundos e carregados de emoção.

Ester é sonho, esperança, amor. Ester enternece. É poesia!

 

Apaixonada

Plantava sonhos na grama,
das nuvens caminhante;
ao tecer forma e trama
colhia memórias - errantes...

Chorava sorrisos,
silêncios gritava;
olhar esquivo,
origem buscava...

Em breve pausa no caminho,
de tanto acompanhar destinos,
encontrou afinal o seu ninho
adubando seu sonho-menino...

Construiu pontes,
castelos desfez.
Despiu-se do antes,
pulou um mês...

Sabendo-se novamente inteira,
voltou-lhe a memória, do nada...
Retomou a caminhada, certeira,
novamente pela vida
Apaixonada...


Liz 
 

 

Não podemos deixar de homenagear o poeta e amigo de todos: Manoel Denys (Tonto)

 

LINDA MANHÃ

Ela que nunca falta, sempre se desperta com o sol, sempre se faz presente, e traz contigo a cantiga dos pássaros, o cheiro das flores desabrochando, sei que leva também a beleza clara da lua, nossa cúmplice de lindos momentos, bela manhã que se transforma em simples e pequenos seres com sede do novo, da realização dos sonhos, do doce da vida.

Manoel Denys (tonto)

Homenagem de  Sandra VLS

 

Gostaria de homenagear minha doce e maravilhosa poetisa mineirinha de Lambari-MG, nascida em 1904, Henriqueta Lisboa.
Sei que farão de tudo para que ela saia lindíssima na foto.....Beijos no coração....


Márcio Antonio. Mendigo.

Henriqueta Lisboa, nasceu em Lambari MG em 15 de julho de 1904. Estudou no Colégio Sion da cidade de Campanha MG e dedicou-se ao magistério. Estudou línguas e letras no Rio de Janeiro e, em Belo Horizonte, lecionou literatura nas universidades locais. Desde o segundo livro, Enternecimento (1929), recebeu vários prêmios literários, inclusive a Medalha da Inconfidência de Minas Gerais, com Madrinha Lua (1952), e o Prêmio Brasília de Literatura (1971) pelo conjunto de sua obra. Pouco conhecida do público, a mineira Henriqueta Lisboa foi consagrada por críticos do porte de Antônio Cândido e Alfredo Bosi como uma das poetisas mais bem-sucedidas da moderna literatura brasileira. Henriqueta Lisboa morreu em Belo Horizonte em 9 de outubro de 1985.

É Estranho

É estranho que, após o pranto
vertido em rios sobre os mares,
venha pousar-te no ombro
o pássaro das ilhas, ó náufrago.

É estranho que, depois das trevas
semeadas por sobre as valas,
teus sentidos se adelgacem
diante das clareiras, ó cego.

É estranho que, depois de morto,
rompidos os esteios da alma
e descaminhado o corpo,
homem, tenhas reino mais alto.

 


Adélia Luzia Prado Freitas, asceu em Divinópolis, Minas Gerais, no dia 13 de dezembro de 1935.

 

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Homenagem de « §mi£ë »

 

 


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 Uma homenagem a esse poeta, escritor e grande amigo que escreve poesias sobre vários temas, entre eles, o AMOR, seus textos são surpreendentes, de uma sensibilidade imensa e ao mesmo tempo mostrando a realidade nua e crua que vivemos nos dias de hoje.

Sandra Vls homenageia ... ARAMIS 

POR UM SEGUNDO

Eu só queria ter a certeza de que te fiz feliz por um dia,
Por uma hora, por um segundo...
Eu só queria saber-me teu por essa unitária infinidade de tempo.
Que teus olhos só tiveram olhos pra mim,
Que teu corpo ansiava pelo toque de minhas mãos,
Que tua boca quis meu beijo
E que eu habitei teu coração por um segundo.
A simples e complexa infinidade de um segundo.
Tempo suficiente pra se mudar tudo.
Se construir ou se destruir o mundo.
Em um segundo se cria a vida na multiplicação dos gametas.
Em um segundo também se extingue a vida, findando-se tudo.
Um único segundo e o universo transmuta.
Um segundo para mudar o resto de minha vida...

http://sonhosdeummosqueteiro.zip.net 

 

 16/03/2007

*caipira®* - Homenageia Cora Coralina.

Muito linda a idéia de homenagear os grandes mestres da nossa poesia... e não poderia ficar de fora dessa e quero contribuir com uns versos simples de uma poeta simples mas de uma sabedoria e sensibilidade enorme... qualidades que eu tive o supremo privilégio de comprovar pessoalmente, embora na época  eu não passasse de um reles pirralho...um a abraço a vc e a todos da equipe.

 

Cora Coralina (Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas), 20/08/1889 — 10/04/1985, é a grande poetisa do Estado de Goiás. Em 1903 já escrevia poemas sobre seu cotidiano, tendo criado, juntamente com duas amigas, em 1908, o jornal de poemas femininos "A Rosa". Em 1910, seu primeiro conto, "Tragédia na Roça", é publicado no "Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás", já com o pseudônimo de Cora Coralina. Em 1911 conhece o advogado divorciado Cantídio Tolentino Brêtas, com quem foge. Vai para Jaboticabal (SP), onde nascem seus seis filhos: Paraguaçu, Enéias, Cantídio, Jacintha, Ísis e Vicência. Seu marido a proíbe de integrar-se à Semana de Arte Moderna, a convite de Monteiro Lobato, em 1922. Em 1928 muda-se para São Paulo (SP). Em 1934, torna-se vendedora de livros da editora José Olimpio que, em 1965, lança seu primeiro livro, "O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais". Em 1976, é lançado "Meu Livro de Cordel", pela editora Cultura Goiana. Em 1980, Carlos Drummond de Andrade, como era de seu feitio, após ler alguns escritos da autora, manda-lhe uma carta elogiando seu trabalho, a qual, ao ser divulgada, desperta o interesse do público leitor e a faz ficar conhecida em todo o Brasil.

Sintam a admiração do poeta, manifestada em carta dirigida a Cora em 1983:

"Minha querida amiga Cora Coralina: Seu "Vintém de Cobre" é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia ( ...)."

 

Mascarados

Saiu o Semeador a semear
Semeou o dia todo
e a noite o apanhou ainda
com as mãos cheias de sementes.
Ele semeava tranqüilo
sem pensar na colheita
porque muito tinha colhido
do que outros semearam.
Jovem, seja você esse semeador
Semeia com otimismo
Semeia com idealismo
as sementes vivas
da Paz e da Justiça.

"Paz não é ausência de guerra, mas presença de amor." 

 

Minha homenagem nesse terceiro dia da poesia é aos poetas blogueiros, os que fazem poesia e os que trazem poesias, àqueles que os fazem em verso , àqueles que os fazem em prosa, àqueles que os fazem em melodias, àqueles que a desenham em cores. Porque a poesia não é apenas um amontoado de letrinhas que formam versos e rimas. A poesia é o sentimento despertado em quem lê, ouve, vê e sente despertar na alma fragmentos de emoção, que hora os fazem rir, ora os fazem chorar. Ser poeta é isso; é ter o dom de "acordar" emoções.

ÞerÞetµal nigth

 

 

A um poeta

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossêgo,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!
Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.

Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício.

Porque a beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimigo do artifício,
E a força e a graça na simplicidade.

Olavo Bilac

Nascimento: Rio de Janeiro RJ
Época: Parnasianismo
País: Brasil

 

ºMagia do Olharº - Homenageia Pablo Neruda.

"Que dirão de minha poesia aqueles
que não tocaram meu sangue?"

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.
Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo

Pablo Neruda 

 

Homenagem de *Dixie* a... Fernando Pessoa

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português.

É considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa tendo seu valor comparado ao de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou-o, ao lado de Pablo Neruda, o mais representativo poeta do século XX. Por ter vivido a maior parte de sua juventude na África do Sul, a língua inglesa também possui destaque em sua vida, com Pessoa traduzindo, escrevendo, trabalhando, estudando e até pensando no idioma. Teve uma vida discreta, em que atuou no jornalismo, na publicidade, no comércio e, principalmente, na literatura, onde desdobrou-se em várias outras personalidades conhecidas como heterônimos. A figura enigmática em que se tornou movimenta grande parte dos estudos sobre sua vida e obra, além de ser o maior autor da heteronímia. Morre de problemas hepáticos aos 47 anos na mesma cidade onde nascera, tendo sua última frase sido escrita na língua inglesa: "I know not what tomorrow will bring... ".

(Eu sei não o que amanhã trará)

NAVEGAR É PRECISO, VIVER NÃO É PRECISO

 (MINHA OPINIÃO – Muitas vezes me pus a pensar sobre essa frase....

Anos até.....e um dia ela começou a ter o significado de que pra navegar

temos sempre ajuda de instrumentos......da natureza....é fato seguro preciso...

Já viver não....cada dia teremos obstáculos pela frente....sem que possamos

nos guiar.....somente viver)


Fernando Pessoa

 

Homenagem de Mendi® a Mário Quintana..

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos!

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel !
Trago-te palavras, apenas...e que estão escritas
do lado de fora do papel...Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou! 

 

 



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Arquivo Semana da Poesia 15/03/2007

Novos Poetas

 

Desejo

Queria ser o arranha-céu da tua boca
As curvas na estrada das tuas ancas
Queria ser teu pensamento deixar-te louca
Queria ser tudo para você e outras tantas

Queria-te por um instante na eternidade
Queria-te na minha teia não é cilada
Queria-te presa a mim em liberdade
Esperando-me à janela escancarada

Tu és a minha incerteza eu não duvido
És do meu infinito mar a maresia
Não sei se com ou sem você estou perdido
Nem sei se és a minha noite ou o meu dia

Só sei que me levas à loucura normalmente
Que és a dor que pode curar minha ferida
E que preciso encontrar-te frente a frente
Pra dizer que quero fazer parte da tua vida

Daniel Lima - 2002 (Þrø†ëµ)

 15/03/2007

Morador de Lua (loirinho)

Poeta eu?
Nasci em 5/5 taurino, cidade Natal(rn),desde criança me encantava o poder das rimas, prosas, versos, repentes, cantorias, modinhas,poesisas e poemas.me fascinava a arte de expressar a ira ou prazer ,o sentimento e o momento em sí,numa mistura de cultura regional e deslumbramentos verticais.cego de paixão pela leitura e criado numa pagina virada do conhecimento atual da época.tinha medo de sair porta á fora e voar nos braços da leitura, brincar de entender e ser entendido.num mundo cheio de opções minha escolha foi navegar,por letras,sintomas e crenças.
aqui estou deixando todo o receio de lado e seguindo em frente ao êxtase de rabiscar e compartilhar com amigos o q de melhor há em mim,minha sensibilidade.
e deixar transparecer minha identidade.um apaixonado vivente mas acima de tudo um justo na alma,um lunático com total sensatez. com ideias ténues,sem muita eloquência porém totalmente em órbita com o ser humano,com o proximo.aberto para novas amizades e novas experiências.
resumindo: o único e obsoleto.........MORADOR DE LUA.

 

 

Poeta seria um momento de paixão?
um sentimento tão grande q precisaria passar pro papel
seria um pássaro em rumo ao seu ninho
uma boca a caminho do beijo
um corpo nú sob o luar
a esperança de amar e ser amado
um símplorio no silêncio
um mendingo numa rua fria
um sol sem gaivotas
um olhar perdido ao infinito
um não perante o sim
um toque no escuro de um quarto
um grito em pleno oceano
num céu azul anil
como seria ser poeta?
em palavras nada sei,
mas aqui em meu coração já mataram um aprendiz.

15/03/2007

O poeta Mendigo

Márcio Antonio Ventura (Mendigo*) por ele mesmo: "Sou uma pessoa simples por natureza...adoro o clássico e o novo...mas tenho alucinações por uma inteligência maior."
Esse é o nosso amigo da sala 5, esse é o nosso amigo Mendigo., que sempre nos dá o prazer de sua presença, de sua simpatia, de seu bom humor, de sua inteligência...

 

 

PSIU, HEI...
UM NOVO DIA VEM TE BUSCAR...
É HORA DE ACORDAR SUA ESPERANÇA, DESPERTAR SUA CONFIANÇA E LEVANTAR-SE.
NO AR ,MAIS UMA VEZ...
SEU CARISMA
SUA SIMPATIA
SUA INTELIGÊNCIA
SEU TALENTO
SUA FÉ
SEU CHARME
SUA BELEZA
SUA SIMPLICIDADE
SUA GENEROSIDADE
SUA HUMILDADE
SEU BOM HUMOR!!!
SERÁ DIFÍCIL RESISTIR À SUA PRESENÇA, SE VOCÊ REVELAR TUDO O QUE TEM DE MELHOR...
NÃO SE ESCONDA E TAMBÉM NÃO GUARDE PRA SI SEUS DONS E HABILIDADES...
TODOS QUE TE ASSISTEM MERECEM O SEU ESPETÁCULO...
MUITOS, COMO EU, AGUARDAM VOCÊ SURGIR, COMO O NASCER DO SOL, IRRADIANDO CALOR E VIDA!
ENTÃO...
ENTREGUE-SE


 15/03/2007

Homenagem de *DIXIE* ao meu poeta do campo......meu poeta da roça....

Patativa do Assaré

ou

(Antônio Gonçalves da Silva)

 

AOS POETAS CLÁSSICOS

Poetas niversitário,
Poetas de Cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia;
Se a gente canta o que pensa,
Eu quero pedir licença,
Pois mesmo sem português
Neste livrinho apresento
O prazê e o sofrimento
De um poeta camponês.

Eu nasci aqui no mato,
Vivi sempre a trabaiá,
Neste meu pobre recato,
Eu não pude estudá.
No verdô de minha idade,
Só tive a felicidade
De dá um pequeno insaio
In dois livro do iscritô,
O famoso professô
Filisberto de Carvaio.

No premêro livro havia
Belas figuras na capa,
E no começo se lia:
A pá — O dedo do Papa,
Papa, pia, dedo, dado,
Pua, o pote de melado,
Dá-me o dado, a fera é má
E tantas coisa bonita,
Qui o meu coração parpita
Quando eu pego a rescordá

Foi os livro de valô
Mais maió que vi no mundo,
Apenas daquele autô
Li o premêro e o segundo;
Mas, porém, esta leitura,
Me tirô da treva escura,
Mostrando o caminho certo,
Bastante me protegeu;
Eu juro que Jesus deu
Sarvação a Filisberto.

Depois que os dois livro eu li,
Fiquei me sintindo bem,
E ôtras coisinha aprendi
Sem tê lição de ninguém.
Na minha pobre linguage,
A minha lira servage
Canto o que minha arma sente
E o meu coração incerra,
As coisa de minha terra
E a vida de minha gente.

Poeta niversitaro,
Poeta de cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia,
Tarvez este meu livrinho
Não vá recebê carinho,
Nem lugio e nem istima,
Mas garanto sê fié
E não istruí papé
Com poesia sem rima.

Cheio de rima e sintindo
Quero iscrevê meu volume,
Pra não ficá parecido
Com a fulô sem perfume;
A poesia sem rima,
Bastante me disanima
E alegria não me dá;
Não tem sabô a leitura,
Parece uma noite iscura
Sem istrela e sem luá.

Se um dotô me perguntá
Se o verso sem rima presta,
Calado eu não vou ficá,
A minha resposta é esta:
Sem a rima, a poesia
Perde arguma simpatia
E uma parte do primô;
Não merece munta parma,
É como o corpo sem arma
E o coração sem amô.

Meu caro amigo poeta,
Qui faz poesia branca,
Não me chame de pateta
Por esta opinião franca.
Nasci entre a natureza,
Sempre adorando as beleza
Das obra do Criadô,
Uvindo o vento na serva
E vendo no campo a reva
Pintadinha de fulô.

Sou um caboco rocêro,
Sem letra e sem istrução;
O meu verso tem o chêro
Da poêra do sertão;
Vivo nesta solidade
Bem destante da cidade
Onde a ciença guverna.
Tudo meu é naturá,
Não sou capaz de gostá
Da poesia moderna.

Dêste jeito Deus me quis
E assim eu me sinto bem;
Me considero feliz
Sem nunca invejá quem tem
Profundo conhecimento.
Ou ligêro como o vento
Ou divagá como a lêsma,
Tudo sofre a mesma prova,
Vai batê na fria cova;
Esta vida é sempre a mesma.

Antonio Gonçalves da Silva

 15/03/2007

Minha homenagem (^^AnaCarolina^^) ao poeta...

Affonso Romano de Sant'Anna


Poemas para a Amiga

Tu sempre foste una
e sempre foste minha,
ainda quando a cor e a forma tua se fundiam
com outra forma e cor que tu não tinhas.
Por isto é que te falo de umas coisas
que não lembras
nem nunca lembrarias
de tais coisas entre mim e ti
ainda quando tu não me sabias
e dividida em outras te mostravas
e assim dispersa me ouvias.

Tu sempre foste uma
ainda quando o corpo teu
com outro corpo a sós se punha,
pois o que me tinhas a dar
a outro nunca o deste
e nunca o doarias.

Por isto é que te sinto
com tanta intimidade
e te possuo com tanta singeleza
desde quando recém vinda
ostentavas nos teus olhos grande espanto
de quem não compreendia
a antiguidade desse amor que em mim fluía.



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Arquivo Semana da Poesia 2007

 
De « §mi£ë » a homenagem à grande poetisa!


Cora Coralina

 



POEMINHA AMOROSO

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo..."

 



14/03/2007  
 
De AnnaTerra©/RS
Para: Alguém



Bilhete


Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda.

Mário Quintana

 


14/03/2007 
  
 
De Sandra Vls
 


14 DE MARÇO, DIA NACIONAL DA POESIA

HOMENAGEM AO NASCIMENTO DO POETA

"CASTRO ALVES"

Nasce, a 14 de março de 1847, na fazenda Cabaceiras, próxima a Curralhinho, atual Castro Alves, filho do dr. Antônio José Alves e d. Clélia Brasília da Silva Castro.
Recita, a 9 de setembro 1860, as suas primeiras poesias no Ginásio Baiano.
A 23 de junho de 1862 ,no Jornal do Recife, " Destruição de Jerusalém" onde estava então morando.
Em 1863 publica seus primeiros versos abolicionistas.
Em 1864 Matricula-se no primeiro ano do curso jurídico e redige com colegas o jornal O Futuro. Escreve " Mocidade e Morte", com o título primitivo de "O Tísico". Volta para a Bahia em outubro, interrompendo o curso.
A 11 de agosto 1865, na data comemorativa da abertura dos cursos jurídicos declama " O século". Passa a residir na rua do Lima, em companhia de Idalina, onde escreve diversos poemas de Os escravos.

Em 1866 Funda uma sociedade abolicionista com Rui Barbosa e outros colegas. Lança o jornal A Luz. Polemiza pela imprensa com Tobias Barreto. Em 7 de setembro, no Teatro Santa Isabel, recita "Pedro Ivo".
Vive com Eugênia Câmara no povoado do Barro, onde conclui o drama Gonzaga. Em maio de 1867 retorna com ela para a Bahia. Em 7 de setembro o Gonzaga estréia no Teatro São João, com grande sucesso.
Viaja, a 8 de fevereiro 1868 para o Rio de Janeiro, sempre em companhia de Eugênia Câmara. É recebido por José de Alencar e Machado de Assis. A 11 de março parte para São Paulo. Declama a "Ode ao Dous de Julho", no Teatro São José, com grande consagração. Em 7 de setembro recita "O navio negreiro", também triunfalmente. Estréia do Gonzaga, a 25 de outubro, no mesmo teatro. Desentendimentos seguidos de separação com Eugênia Câmara.
1870 lança em Salvador Espumas Flutuantes

Recita pela última vez, a 10 de fevereiro de 1871, na Associação Comercial, em benefício das crianças francesas vítimas da Guerra Franco-Prussiana. Seu estado de saúde agrava-se após a noite de São João. Expira às três e meia da tarde do dia 6 de julho, no Palacete do Sodré, junto a uma janela banhada pelo sol.

Obras: Espumas flutuantes (1870); Gonzaga ou a Revolução de Minas (1876); A cachoeira de Paulo Afonso (1876); Os escravos, obra dividida em duas partes: 1. A cachoeira de Paulo Afonso; 2. Manuscritos de Stênio (1883). Obras completas Edição do cinqüentenário da morte de Castro Alves, comentada, anotada e com numerosos inéditos, por Afrânio Peixoto, em 2 vols.
 


 A homenagem...
 


As Duas Flores

São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez no mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

Castro Alves

 

 
14/03/2007
 
Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho
Meu Poeta-mor
 
Você que,como poucos poetas da sua época,soube entender e sentir profundamente a alma dos excluídos,especialmente, a da mulher-meretriz;
Você que enfocou ,nitidamente, a visão de um mundo Ideal(do sonho,onde habita o que está por ser atingido);e o Material,(da realidade social das ruas,principalmente,as do Recife).
Você que, fora predestinado a ser um profissional das ciências exatas,mas por ironia,a vida o tornou um profissional da palavra...do encantamento...do sonho.
Imagino o Maneca chegando no céu e recebido por Irene,a mãe preta que ele,carinhosamente,homenageou em seus versos.Repousando a cabeça no colo de Irene,livre,enfim,das mazelas...das frustrações e das desilusões que nortearam toda a sua vida,sorri o sorriso dos que encontram a paz:
-Conta uma história,Mainha,quero no teu colo adormecer e sonhar...
Àqueles que,como eu,apreciam a obra do grande escritor e poeta Manuel Bandeira,com carinho,o poema:

A homenagem de *Hellen*

 
 

Estrela da Manhã
 

Eu quero a estrela da manhã
Onde está a estrela da manhã?
Meus amigos meus inimigos
Procurem a estrela da manhã


Ela desapareceu ia nua
Desapareceu com quem?
Procurem por toda parte

Digam que sou um homem sem orgulho
Um homem que aceita tudo
Que me importa?
Eu quero a estrela da manhã

Três dias e três noites
Fui assassino e suicida
Ladrão,pulha,falsário

Virgem mal-sexuada
Atribuladora dos aflitos
Girafa de duas cabeças
Pecai por todos pecai com todos
Pecai com os malandros
Pecai com os sargentos
Pecai com os fuzileiros navais
Pecai de todas as maneiras
Com os gregos e com os troianos
Com o padre e com o sacristão
Com o leproso de Pouso Alto

Depois comigo
Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei
terra e direi coisas de uma ternura tão simples
Que tu desfalecerás

Procurem por toda parte
Pura ou degradada até a última baixeza
Eu quero a estrela da manhã

 
 
 
14/03/2007

Meninas saudades, eu também resolvi participar da semana do poeta mandando um poema do Bocage que eu acho lindo.
 
Beijos..
 
ºßandidaº (Frida)

 
NASCEMOS PARA AMAR

Nascemos para amar; a humanidade
Vai tarde ou cedo aos laços da ternura:
Tu és doce atractivo, ó formusura,
Que encanta, que seduz, que persuade.

Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão n'alma se apura
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.

Qual se abismou nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre;
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.




- Postado por: uns e outros às 15h09
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SEMANA DA POESIA DE 2007

OS POEMAS




Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão.
Eles não têm pouso nem porto;
Alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
e o alimento deles já estava em ti...


[Mário Quintana]

Estará aberta a Semana da Poesia a partir da meia-noite (14-03-07 a 21-03-07) Com apresentação feita pelo Nick. Aqui nesta mágica caixinha. Aguardem e preparem a tinta e a pena pois "tudo vale a pena quando a alma não é pequena" (FP)


E assim começou nossa "Semana da Poesia" na caixinha os amigos do Noites Sem Fim I, em 2007.

Assim começamos hoje presenteado a todos com a releitura dos "presentes" lá deixados.

É o nosso presente a todos os blogueiros e visitantes do Noites Sem Fim.

Carinhosamente,

£å£i, ºsonhadoraº/ctba, ÞerÞetµal night


14/03/2007


DE: ALGUÉM

PARA: MORADOR DE LUA




Soneto da Lua

Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas, e sem fim
Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros ?

Que paixão fez-te os lábios tão maduros
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros?

Fugaz, com que direito tens-me pressa
A alma, que por ti soluça nua
E não és Tatiana e nem Teresa:

E és tão pouco a mulher que anda na rua
Vagabunda, patética e indefesa
Ó minha branca e pequenina lua!


Vinicius de Moraes


DE: *Dixie*
PARA: TODOS OS POETAS e minha especial homenagem ao Grande Poetinha Alegre, Mário Quintana na semana da Poesia.



Se eu fosse um padre


Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
...e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!

Mário Quintana


Nossa homenagem ao poeta e amigo Fio da Mãe



*Pøet@ §ønh@dø®*

Rogério Gomes

Meu corpo reclama um pouco de carinho,
Minha cabeça se volta a sensibilidade,
Tenho meus momentos, fraco e sozinho,
Me sinto levado, sinto minha fragilidade.

Escuto de outros, não se deixe entregar,
Parece que tudo que faço é questionado,
Quem dúvida que o sorriso eu queria dar,
E não sofrer como homem apaixonado.

Quem tem dúvidas, eu não sou amar sofrer,
Eu prefiro o teu beijo mais ardente,
Seria capaz de o teu sexo enlouquecer,
E juntar a pele, o cheiro e tua mente.

Sinto o teu gosto, teu cheiro, teu olhar,
Vibrando eu chego ao desejo irracional,
Arrepio quando penso em tua mão acariciar,
Faço de conta, para um dia ser real.

Não vivo de dores, nem vivo de vaidades,
Quero te dar flores, quero dar amor,
Um momento das mais fortes disparidades,
Onde me sinto frio, mas deixo em teu calor.

Meu abraço que te envolve, sinta meus lábios,
Feche teus olhos, te peço me tira essa dor,
Desafiando todos os homens mais sábios,
Me torne real, pois sou o Poeta Sonhador.



(Conheçam mais visitando seu site)

http://br.geocities.com/fio_da_mae1/meuspoemas/

Rogério Gomes



- Postado por: uns e outros às 23h19
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Perpetual e Sonhadora,

O poema hoje, chama-se "Agradeço" ...

Agradeço pelo espaço,

Agradeço pela oportunidade,

Agradeço pelo aprendizado,

Agradeço pelo convívio,

Agradeço pelo respeito ,

Agradeço pelo incentivo e paciência,

Agradeço a Deus, pela existência de vcs ...

Recebam meu carinho

Deborah*



- Postado por: uns e outros às 19h03
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"A Vida é Assim"


"... A vida é assim, segue e verás, - a vida
é um dia de esperança, um longo poente
de incertezas cruéis, e finalmente
a grande noite estranha e dolorida...


Hoje o sol, hoje a luz, hoje contente
a estrada a percorrer suave e florida...
- amanhã, pela sombra, inutilmente
outra sombra a vagar, triste e perdida...


A vida é assim, é um dia de esperança
uma réstia de luz entre dois ramos
que a noite envolve cedo, sem tardança...


E enquanto as sombras chegam, nós, ao vê-las,
ainda somos felizes e encontramos
a saudade infinita das estrelas!..."


"...A vida é assim, uma ânsia... feito a vaga
que se ergue e rola a espumejar na areia,
- apor esse bem que a tua mão semeia
espera o mal que ainda terás por paga!


A essa hora boa que te agrada e enleia
sucede uma outra torturante e aziaga,
- a vida é assim... um canto de sereia
que à morte nos convida, e nos afaga...


O teu sonho melhor bem pouco dura,
e há sempre "um amanhã" cheio de dor
para "um hoje" nem sempre de ventura...


Toma entre as mãos o búzio da alegria
e surpreso verás que no interior
canta profunda e imensa nostalgia!..."


Isso tudo nos dizem, - entretanto
nós dois seguimos braços dados,
creio que se tu sabes que te adore tanto
do que ouviste talvez não tens receio...


A vida, - é o nosso amor, o nosso encanto!
Nem a podemos mais parar no meio...
Chorar? - bem sei que choras, mas teu pranto
é a alegria que canta no teu seio...


O mundo é bom e nós o cremos, basta!
E se um amor tão grande nos enleva
e pela vida unidos nos arrasta,


- que eu te abrace e te apoies sempre em mim,
e desafiando o mundo envolto em treva
sigamos juntos para um mesmo fim !


(Poema de JG de Araujo Jorge extraído
do livro " AMO ! " 1a edição 1938 )

 

click

 

 

 



- Postado por: uns e outros às 14h50
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Saudades

Saudades!!!!
Palavra composta de quatro vogais e quatro consoantes, que quer dizer tudo e não diz nada.

Na saudade está o silêncio... será que se escreve saudades com S de silêncio?

Quem inventou está palavra?
Será que sabia quantos sentimentos existia neste conjunto de letras?

Por que não vontade louca de saber de ter de ver?
Por que não medo, insegurança, incerteza?
Por que não desejo de voltar....?

Será que o A de saudades é o A de Até breve?

Será que saudade é para rimar com felicidade?
Não!!!, Saudade rima com dor..., se rimar com felicidade seria a de reencontrar, mas aí já não é saudade, aí vira realidade...

E o U da saudade?
Será de ultimamente?
Será de únicamente?
Ou será um U de um urro de dor?

Saudades!!!!!!!
Palavra pequena para transmitir tantos sentimentos.
Não descreve nosso amanhecer sem você.
Não descreve as horas das refeições, nem daquele gostoso papos de fim de noite.
Não descreve tua cama vazia, nem meus sonhos em conflitos.

E o D da saudade?
Será de quanto em quanto tempo?
Será que por isto ele se repete?
Ou será o D do Dedo de Deus?

Mas que palavra é essa, que não descreve nada!!!!!
Não fala em afago, em carinho, em você
Não reflete teu rosto, nem teu sorriso bonito, com tuas covinhas na face que o fazia mais doce, mais perfeito.

E o E da saudades?
Será de estar junto?
Será de esperança?
Ou será de eu te amo?

Saudades, palavra tão pequena... mas poderia ter um acróstico, que cada vogal ou consoante teriam infinitas explicações, descreveria infinitos sentimentos, que molhariam lenços e fronhas....

Saudades!!!!!
Será de novo o S do silêncio?
Ou o S de sofrer?
Ou o S de Será?

Será que a palavra saudades, esta relacionada com sonhar?
Será que significa voltar?
Ou saudades é um eterno esperar........

- Fernanda Queiroz-



- Postado por: uns e outros às 21h46
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"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

(Olavo Bilac)

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Tuas palavras, Amor

 

Como são belas e misteriosas tuas palavras, Amor!
Eu não as tinha pressentido,
eu era como a terra sonolenta e exausta
sob a inclemência do céu carregado de nuvens,
quando, igual a uma chuva torrencial de verão,
tuas palavras caíram da altura em cheio
e se infiltraram nos meus tecidos.



O' a minha pletora de alegria!...
As árvores bracejaram recebendo as bátegas entre as ramas,
as corolas bailaram numa ostentação de taças repletas,
os frutos amadurecidos rolaram bêbedos no solo.
E eu vivi a minha hora máxima de lucidez e loucura
sob a chuva torrencial de verão!

 

Como são belas e misteriosas tuas palavras, Amor!...
Minha alma era um rochedo solitário no meio das ondas,
perdido de todas as cousas do mundo,
quando, ao passar dentro da noite na tua caravela fuga,
tu me enviaste a mensagem suprema da vida.
A tua saudação foi como um bando de alvoroçadas gaivotas
subindo pelas escarpas do rochedo, contornando-lhe as arestas,
aureolando-lhe os cumes.



E a minha alma esmoreceu ao luar dessa noite,
ilha branca da paz, num sonho acordado...



Amor, como são belas e misteriosas as tuas palavras!...

 Henriqueta Lisboa – do livro: Velário (1930 – 1935)

 

 

Meus Poetas... Meus Poemas...



- Postado por: uns e outros às 13h06
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